Eu não quero enlouquecer.
Eu não quero perder o rumo, se é que ainda tenho um.
Preciso manter essa sanidade social disfarçada.
Por mais que todos nós estejamos doentes, loucos, insanos, eu não posso acordar.
Devo permanecer como eles.
Dopados.
A sensação de vertigem me alucina.
Não aguento mais sentir.
Ela brota por todos os poros, desenfreada, incontrolável.
Como estar sempre a cair, mas não bater em lugar algum.
Cair, cair e cair.
Sem fim, sem destino.
Se ao menos pudesse ser como antes.
Letárgico.
Acreditar que há um sentido em nascer, crescer, reproduzir e morrer.
Acreditar em um Deus.
Acreditar na humanidade.
Crer no que for.
Apenas, crer.
Nunca abrir os olhos.
Ou pensar que se abriram os olhos.
Permanecer na pelagem do coelho, na calmaria da consciência vã.
Mergulhar jamais.
Não ousar escalar.
Inerte na fé cega que move montanhas, e que já não me move.
Flutuar ao sabor do vento, o qual já não me sustenta.
Não sou mais um na imensidão sem cor.
Porém, ainda não sei quem sou.
Se, sou...
Ao percorrer o Estige,
perceberás que Caronte há muito abandonou sua lida.
Ouvirás o fulgor da correnteza a passar.
Verás muitos como tu, porém todos cegos, em lúgubre procissão.
Ao teu nariz, queimará o acre do enxofre.
Sentirás...
Não!
Não sentirás nada.
Mostrando postagens com marcador Notas Particulares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Notas Particulares. Mostrar todas as postagens
Nota Particular: Escrever
Queres saber por que escrevo? A resposta é simples.
Há uma mágica na arte de compor palavras, em viver personagens, desenhar histórias. Um feitiço que desperta multiplicidades, enquanto arremessa a razão ao inconsciente caótico do autor, trazendo à tona, como que por encanto, os mais variados seres.
Se pela manhã fui Vagner, servente de pedreiro, morador de uma casa de taipa, que molha sempre que chove, e, já aos 20, pai de duas filhas. À tarde sou Fernando, cego de nascença, que tem como sonho, antes de morrer, saber como é o azul, o verde, o rosto da mãe.
E a noite posso ser Gabriela, meretriz pobre, que vende o corpo pra sobreviver, precisando revezar as 3 calcinhas que tem pra não fazer feio no asfalto.
Caso eu canse da Gabriela, posso ser Jurema, Nilton, Tomás...
Posso ser bicho, posso ser coisa.
Posso ser tudo o que quiser, o que sou.
Enquanto explodo em minha variedade de Eu’s, transmito sentimento.
Comunico, deslizo.
Eu te toco.
Somente assim a mágica ganha vida, cor e som.
A faço desse jeito pobre mesmo que sei.
Meio torto, cambaleante, mas com luz.
Minha magia só tilinta, pulsa, quando é compreendida. Seja ela do jeito que for, pois assim que isso acontece, ela já não é mais minha.
Ela é tua, é nossa.
Foda-se a gramática correta, a semântica clara ou a sintaxe perfeita.
Foda-se tudo que enrijece, empedra e não conduz.
Minha rima não tem rima.
Ela tem magia, tem luz.
Há uma mágica na arte de compor palavras, em viver personagens, desenhar histórias. Um feitiço que desperta multiplicidades, enquanto arremessa a razão ao inconsciente caótico do autor, trazendo à tona, como que por encanto, os mais variados seres.
Se pela manhã fui Vagner, servente de pedreiro, morador de uma casa de taipa, que molha sempre que chove, e, já aos 20, pai de duas filhas. À tarde sou Fernando, cego de nascença, que tem como sonho, antes de morrer, saber como é o azul, o verde, o rosto da mãe.
E a noite posso ser Gabriela, meretriz pobre, que vende o corpo pra sobreviver, precisando revezar as 3 calcinhas que tem pra não fazer feio no asfalto.
Caso eu canse da Gabriela, posso ser Jurema, Nilton, Tomás...
Posso ser bicho, posso ser coisa.
Posso ser tudo o que quiser, o que sou.
Enquanto explodo em minha variedade de Eu’s, transmito sentimento.
Comunico, deslizo.
Eu te toco.
Somente assim a mágica ganha vida, cor e som.
A faço desse jeito pobre mesmo que sei.
Meio torto, cambaleante, mas com luz.
Minha magia só tilinta, pulsa, quando é compreendida. Seja ela do jeito que for, pois assim que isso acontece, ela já não é mais minha.
Ela é tua, é nossa.
Foda-se a gramática correta, a semântica clara ou a sintaxe perfeita.
Foda-se tudo que enrijece, empedra e não conduz.
Minha rima não tem rima.
Ela tem magia, tem luz.
Assinar:
Postagens (Atom)
