As horas passavam mornas, pacientes. Tudo estava em paz.
Deveria estar em paz.
Acontece que não há paz quando os dias deveriam ser outros dias,
as horas se arrastam como larvas e tudo caminha em direção a nada.
Angústia.
Sentimento miserável que te visita nos piores momentos do dia.
Momentos de solidão.
Se pelo menos o telefone tocasse. Ou o quarto explodisse.
Tanto faz. Não...
O que ele queria, de verdade, era que o mundo girasse.
Como um peão veloz que sai da mão de uma criança marota,
em fúria a riscar o chão, incontrolável e sem rumo.
Ele ainda sabia que o destino não era importante. Nunca o fôra.
Apenas lhe escapara a velocidade.
Ela que sempre o moveu, perdeu-se pelo caminho.
Agora o tempo era uma procissão de desejos e sonhos esquecidos
a passar ritmadamente, lentamente.
Permanecer nesse quarto já não lhe parecia tão ruim.
O tempo não mudaria se ele atravessasse a porta.
Nada mudaria.
Pelo menos aqui, os pensamentos são só seus.
A solidão não é compartilhada, é somente sua.
Viver torna-se esperar.
O problema é que o seu silêncio, cortado por barulhos alheios,
veste a máscara de sua angústia.
Ela que martela em sua cabeça,
congelando o seu ventre e turvando a sua visão, lhe mostra
que o que não é tão ruim, na verdade é péssimo.
Pessimista.
Não, chamasse-o de tudo, menos pessimista.
Ele pode ter perdido a velocidade.
Pode estar afogado em seus anseios.
Mas nunca abraçaria a amargura.
Levantara.

3 comentários:
Há! Esse é o meu preferido!
Muito massa mesmo Thales, adorei!
Parabéns :)
Já te falei que tens o dom né? iaueueaue ;)
"Viver torna-se esperar."
Para mim, nada ilustra tão bem a angústia como este contínuo tornar-se esperar do viver.
Excelente. Parabéns pela obra.
* Acessei o blog através do twitter do Gregory.
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